Firme ou gentil?
Nas mentorias que facilito, essa é uma questão recorrente. É uma dor silenciosa, mas muito comum: a dificuldade de se posicionar, mesmo quando se sabe, com clareza, o que se quer dizer.
É como se fosse preciso escolher entre ser firme e ser gentil, entre colocar limites e manter o ambiente harmonioso.
Mas talvez a principal questão não seja sobre escolher entre firmeza ou gentileza, e sim sobre aprender a ser assertiva.
O que é comunicação assertiva
Ser assertiva não é falar alto nem ser dura. É conseguir expressar o que se pensa e sente com clareza, respeito e intenção. É sustentar sua posição sem atropelar o outro. É encontrar o equilíbrio entre a passividade que silencia e a agressividade que impõe.
Quando desenvolvemos essa habilidade, a comunicação deixa de ser um campo de tensão e se torna um espaço de encontro. Isso pode transformar não só relações profissionais, mas também a forma como nos relacionamos com nós mesmos.
O impacto da falta de assertividade
Na prática, percebo que essa tensão leva muitas pessoas a se calarem. A anularem aquilo que precisa ser expressado. E falar disso é falar de saúde emocional.
Não se posicionar significa, muitas vezes, aceitar o que não nos faz bem. E essa desconexão, cedo ou tarde, cobra seu preço: exaustão, desmotivação ou aquele desânimo difícil de explicar.
Esse medo, muitas vezes invisível, pode impedir avanços na carreira, dificultar relacionamentos e minar a confiança. Por isso, encontrar um caminho de comunicação que una clareza, respeito e autenticidade é essencial.
Onde pode estar a raiz desse conflito
Essa dificuldade não tem gênero, mas é especialmente frequente entre mulheres. A linguista Deborah Tannen explica que “mulheres tendem a evitar uma linguagem direta e firme por medo de parecerem rudes…”
A autora Monique Tallon resume bem essa armadilha em Leading Gracefully:
“Muitas mulheres evitam se posicionar por medo de parecerem agressivas. Com isso, acabam sendo vistas como indecisas ou passivas.”
Comunicação assertiva: como encontrar o equilíbrio entre firmeza e gentileza
O problema não está na firmeza em si, mas no julgamento que ela carrega. É nesse cenário que a assertividade surge como alternativa poderosa: posicionar-se com clareza e respeito, sem precisar escolher entre ser ouvida ou ser acolhida.
Na minha experiência com a Mentoria Expressiva, percebo que o que a maioria busca não é “falar mais alto”, mas falar com mais verdade. Ser escutada sem deixar de escutar. Ser respeitada sem abrir mão da empatia.
Esse é um caminho que se constrói. Não é automático. É prática, é processo.
Caminhos possíveis para desenvolver a comunicação assertiva
Algumas práticas que ajudam nesse processo:
- Use mensagens-eu: fale do que você sente, e não do que o outro fez. Exemplo: “Eu me sinto sobrecarregada quando os prazos não são respeitados.” Isso abre espaço para o diálogo.
- Cuide da coerência verbal e não verbal: contato visual, tom de voz e postura transmitem mais do que mil palavras.
- Diga “não” com respeito: colocar limites com calma é um presente que damos a nós mesmos.
- Pratique a escuta ativa: ouvir com presença é um dos maiores gestos de respeito e favorece que o outro ouça você.
- Reescreva sua fala: pense em uma situação recente em que foi difícil se posicionar. O que você gostaria de ter dito? Transforme essa intenção em uma frase curta e assertiva, comunicando o que sente, precisa e espera.
Reflexões para começar hoje
Se você sente dificuldade de se posicionar, vale refletir:
- Como anda sua comunicação com você mesma e com o mundo?
- Você tem conseguido expressar o que pensa e sente com clareza e cuidado?
Se não está fácil, tudo bem. Isso não é fraqueza, é humano. Reconhecer esse ponto de incômodo já é um primeiro passo.
Explorar novos jeitos de se comunicar pode abrir caminhos que você nem imaginava.





