O erro como motor da evolução
Em uma entrevista recente, o escritor e biólogo Mia Couto disse que “o erro é um motor da evolução”.
Na biologia, o que chamamos de mutação – um “erro” no código genético – é justamente o que permite adaptação, transformação e o surgimento de novas espécies. Sem ele, não haveria diversidade, nem movimento, nem vida.
Essa visão me fez pensar no quanto o erro ainda é temido dentro das empresas e como isso afeta não só a inovação, mas também a saúde emocional dos times.
O impacto do medo de errar nas empresas
Ambientes que não toleram falhas dificilmente favorecem o aprendizado ou a experimentação.
Quando o erro é visto como ameaça, a tendência é se proteger: arriscar menos, criar menos, colaborar menos.
Mas quando existe segurança psicológica, abre-se espaço para um outro tipo de erro: aquele que nasce da tentativa genuína de fazer algo novo. Isso acontece quando as pessoas se sentem seguras para testar,
propor e improvisar – e isso faz toda a diferença para inovar.
Nem todo erro é o mesmo erro
É claro que estamos falando de contextos em que há intenção, compromisso e responsabilidade.
Errar por descuido ou negligência é diferente de errar dentro de um processo criativo. E é nesse segundo tipo que mora a potência.
Quando as lideranças constroem espaços onde é possível experimentar, os times se soltam. As pessoas percebem que há margem para tentar e que, se der certo, o ganho coletivo será muito maior.
Essa margem não significa bagunça – significa confiança. É o oposto do controle rígido, que sufoca e paralisa.
Errar com poesia
Mia Couto também fala do erro como elemento essencial da poesia. É o desvio da lógica que cria beleza, novas perspectivas e encantamento. É o que nos tira do óbvio e nos leva a outros lugares.
Talvez a inovação funcione do mesmo jeito. O imprevisível e o não planejado criam terreno fértil para ideias mais criativas, soluções mais humanas e caminhos mais verdadeiros.
Errar para evoluir: o que a biologia e a poesia ensinam sobre inovação
E se deixássemos o erro ensinar?
A pergunta não é “como evitar que erros aconteçam?”, mas sim:
- Como podemos lidar melhor com eles?
- Como cultivar ambientes onde errar também seja aprender?
Na Mentoria Expressiva, muitas vezes esse é o ponto de partida: olhar para experiências que não saíram como o esperado, não com culpa, mas com curiosidade.
Assim como na biologia e na poesia, o erro pode não ser o fim, mas o início de uma nova forma de existir.





